Experiências Artístico-Pedagógicas
Se diferentes tradições tornaram visíveis aspectos específicos da experiência artístico-pedagógica, cabe perguntar o que acontece quando esses problemas são dirigidos a uma mesma situação sem que um deles se torne fundamento dos demais. Uma experiência de criação pode envolver conhecimentos produzidos no contato com materiais, repertórios anteriormente constituídos, condições territoriais, regimes de visualidade, assimetrias de legitimidade, negociações de autoria e responsabilidades decorrentes das relações estabelecidas. Essas dimensões podem se cruzar sem possuir a mesma genealogia ou responder à mesma pergunta. Como examiná-las conjuntamente sem dissolver suas diferenças, subordiná-las a uma única ontologia ou convertê-las em etapas de um método pedagógico?
Diante desse problema, propõe-se uma Arquitetura Analítica da Experiência Artístico-Pedagógica, compreendida como um dispositivo para interrogar situações em que criação, ensino e aprendizagem se implicam mutuamente.
A crítica frontal a modelos que subordinam o conhecimento artístico a métricas padronizadas foi deliberadamente evitada neste artigo. Tais modelos variam conforme contextos nacionais, institucionais e curriculares, e uma crítica generalizada correria o risco de universalizar um problema que é sempre situado. O que subsiste é o problema epistemológico que esses modelos tornam urgente: como compreender conhecimentos que se constituem durante a experiência artística.
A arquitetura organiza essa interrogação por sete ângulos: ontológico, epistemológico, pedagógico, territorial, decolonial, do comum e do cuidado. Eles dirigem perguntas distintas à experiência artístico-pedagógica: às relações constituídas no criar; à produção de conhecimento; às condições pedagógicas da experiência; à participação de lugar, materialidade e história; às hierarquias de legitimidade; à organização de autoria, participação e autoridade; e às responsabilidades produzidas pelas relações. Esses ângulos não constituem etapas ou critérios de qualidade, nem precisam estar igualmente presentes em toda prática. Sua função é permitir que diferentes problemas sejam examinados em relação.