Conhecimento Vivo

Na Urukum, acreditamos que conhecimento não é algo guardado em estantes — é semente, é fluxo, é prática viva. Por isso, além das vivências, cursos e publicações, mantemos um compromisso contínuo com a pesquisa e a produção de saberes que dialogam com o mundo que queremos construir.

Nesta página, reunimos artigos científicos que nasceram do encontro entre experiências de campo, escuta profunda e reflexões coletivas. Alguns já foram publicados em revistas acadêmicas; outros estão em processo de avaliação. Todos partem de uma mesma intenção: honrar os saberes ancestrais, promover práticas sustentáveis e provocar novas formas de pensar e viver.

Se você tem curiosidade de mergulhar um pouco mais fundo nos bastidores do que move a Urukum, aqui está um convite: explore os textos, leia com o coração aberto e descubra as ideias que estão ajudando a construir pontes entre mundos.

Artigos científicos publicados e em processo de submissão

Pesquisas e Saberes

Territórios e Saberes

Esta pesquisa discute a importância da ancestralidade e dos saberes ancestrais dos povos indígenas, destacando a oralidade como meio fundamental de produção e transmissão de memória coletiva. Desenvolveu-se um estudo de caso em uma comunidade Shanenawa em Feijó/AC, no bioma Amazônico, explorando como as narrativas orais preservam e comunicam conhecimentos ecológicos tradicionais.

Cosmovisões

Este artigo analisa as cosmologias indígenas como sistemas em confronto direto com os fundamentos da modernidade ocidental, em especial sua cisão entre natureza e cultura, sujeito e território. Argumenta-se que os saberes ancestrais não apenas propõem práticas alternativas de sustentabilidade, mas desestabilizam os regimes de verdade que legitimam o extrativismo e a governança da crise ecológica.

Narrativas Quilombolas

Com base em um estudo qualitativo realizado com mulheres de comunidades quilombolas no sul do Brasil, articulado ao livro Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, analisamos como a negação da ancestralidade opera como mecanismo de apagamento identitário e reprodução de violências estruturais. Foram identificadas dimensões de precariedade material, racismo, violência de gênero e invisibilização institucional.

Terras Ancestrais

Neste artigo propõe-se uma reflexão sobre a ancestralidade quilombola por meio da produção artística com pigmentos naturais de territórios tradicionais do Estado do Paraná. A partir de uma abordagem metodológica ancorada na pesquisa artística, foram coletadas terras de diferentes tonalidades nas comunidades quilombolas, preparadas com têmpera tradicional e aplicadas mantendo a granulação do solo.

Direito à Terra

Este artigo analisa a relação entre ancestralidade, território e resistência no Quilombo Rio Verde, localizado em Guaraqueçaba, Paraná, Brasil. A pesquisa investiga os desafios enfrentados pela comunidade diante da morosidade na regularização fundiária, da fiscalização ambiental punitiva e da atuação de interesses privados sobre áreas tradicionalmente ocupadas.

Agricultura e Ancestralidade

A interseção entre agricultura regenerativa e ancestralidade quilombola revela práticas que desafiam os paradigmas técnicos e epistêmicos dominantes no campo da sustentabilidade. Este artigo investiga como os saberes tradicionais quilombolas, enraizados em cosmologias territoriais e práticas comunitárias, se articulam, e muitas vezes entram em tensão, com os princípios regenerativos contemporâneos.

Ancestralidade Quilombola

Este estudo aborda a ancestralidade quilombola e sua influência nas práticas de sustentabilidade ambiental, explorando a interseção entre a herança cultural das comunidades remanescentes de quilombos e os esforços para conservar e proteger o meio ambiente no Brasil. E como a ancestralidade quilombola influencia as práticas de sustentabilidade ambiental.

Identidades Híbridas

Este ensaio analisa criticamente as identidades das comunidades quilombolas brasileiras como processos contínuos de hibridização cultural. Perspectivas estáticas, essencialistas e dicotômicas como tradicional versus moderno e rural versus urbano são insuficientes para apreender a complexidade dessas experiências que impactam o dia a dia das comunidades.

Quilombos e Quadrinhos

O presente estudo explora a intersecção entre narrativas gráficas e a representação de culturas ancestrais quilombolas e indígenas no Brasil, por meio da análise do romance gráfico Urubu-Rei. Empregando a técnica tradicional da xilogravura, este trabalho destaca a singularidade do romance gráfico na preservação e celebração das tradições culturais brasileiras.

Mestiçagem e suas ambiguidades

Este ensaio explora como Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, e Rediscutindo a Mestiçagem no Brasil, de Kabengele Munanga, apresentam interpretações distintas, porém complementares, sobre a mestiçagem e a formação sociocultural brasileira. Enquanto Freyre celebra a mestiçagem como uma força integradora e característica distintiva da identidade nacional, Munanga adota uma abordagem crítica, destacando as desigualdades e tensões raciais que o processo encobriu e perpetuou.

Ancestralidade - Valor Social

Uma abordagem transdisciplinar da ancestralidade como valor social, articulando dimensões temporais, sociais e simbólico-afetivas que sustentam pertencimento, continuidade e justiça intergeracional. A partir de experiências em contextos quilombolas, periféricos e indígenas, apresento um modelo conceitual no qual os vetores individuais (raça, etnia, herança genética) se entrelaçam com valores coletivos (memória, identidade, cuidado).

Ancestralidades

Este livro propõe a ancestralidade como um valor social dinâmico, que vai além da herança genética ou da etnicidade nos moldes tradicionais. A partir de vivências pessoais, etnografias e diálogos entre filosofia, neurociência, arte e espiritualidade, a obra constrói um campo de reflexão que articula pertencimento, memória, identidade e resistência. Dividido em capítulos que tensionam essa estrutura por meio de análises filosóficas, casos concretos e abordagens sensíveis, o livro discute temas como o apagamento histórico, as identidades híbridas, o papel da arte como memória e a resistência dos saberes ancestrais.

Samaúma

 Um relato etnográfico que também é o testemunho de um encontro entre mundos, tempos e modos de conhecer. A partir da convivência com os pajés e anciãos da Terra Indígena Kaxinawa/Katukina, o autor percorre trilhas, rios e memórias para compreender como o conhecimento da floresta é tecido: em cantos, em caminhadas, em gestos de cuidado, em histórias compartilhadas à beira do fogo. O livro documenta em seus relatos o processo de criação de um livro de plantas medicinais, a pedido dos próprios pajés: "registrar as medicinas da floresta para que as gerações futuras não percam aquilo que só vive enquanto é praticado". A partir desse convite, aquilo que poderia ser apenas um estudo transforma-se em um compromisso. A escrita deixa de ser um instrumento de análise e torna-se um elo de continuidade.

Urubu-Rei - Material pedagógico

Material desenvolvido com o objetivo de ampliar o diálogo entre arte, educação e justiça social. A partir da obra em quadrinhos Urubu-Rei — inspirada em uma pesquisa de doutorado sobre ancestralidade quilombola e práticas de resistência territorial — o conteúdo propõe um percurso interdisciplinar, crítico e sensível para professores e educadores.
Voltado ao Ensino Médio (com classificação indicativa formal de 16 anos, acompanhada de mediação docente obrigatória) e à Educação Superior, o material oferece caminhos para refletir sobre identidade, território, memória coletiva e combate ao racismo, tendo a linguagem visual como ponto de partida para discussões contemporâneas.
Cada módulo inclui orientações para professores, sugestões de mediação em sala, links para pesquisas complementares, imagens selecionadas da HQ e propostas de avaliação formativa.

Cadernos de Campo