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Há conhecimentos que nascem do estudo. Outros precisam do encontro.

A Casa Urukum é um espaço de vivências, criação e troca de conhecimentos. Desde 2014, recebe e desenvolve atividades que aproximam pessoas, culturas e diferentes formas de compreender o mundo por meio de encontros, grupos de estudo, oficinas, práticas artísticas, experiências comunitárias e ações culturais.

Mais do que um espaço físico, a Casa funciona como um lugar de experimentação dentro do ecossistema Urukum. É onde ideias podem se transformar em experiências, pesquisas encontram outras formas de conhecimento e projetos começam muitas vezes com algo bastante simples: pessoas reunidas em torno de uma pergunta, de uma prática ou de uma história.

Ao longo dessa trajetória, a Casa também participou de iniciativas realizadas junto a comunidades e territórios, especialmente em ações relacionadas à ancestralidade, aos saberes tradicionais, à memória e à diversidade cultural. Algumas dessas experiências deram origem a livros, documentários, pesquisas e outros projetos que hoje integram a atuação da Editora e do Instituto Urukum.

O que acontece por aqui

Vivências e encontros — experiências coletivas, práticas e espaços de troca.
Arte e cultura — oficinas, apresentações, exposições e processos criativos.
Estudo e conhecimento — grupos, conversas, pesquisas e circulação de saberes.
Projetos e territórios — iniciativas construídas em diálogo com comunidades e outras organizações.

Histórias que passaram pela Casa

Vivência ancestralidade

Todas nós, cada uma aqui, trazemos em nosso corpo, em nossa história, marcas das mulheres que vieram antes de nós. Nossas mães, avós, bisavós, e tantas outras que talvez nem saibamos os nomes, mas que viveram, amaram, sofreram e resistiram para que hoje estivéssemos aqui. Elas nos deixaram heranças que vão além do sangue. Deixaram histórias, valores, medos e forças que moldaram quem somos. Quando falamos de ancestralidade, estamos falando de conexão. É como uma raiz que nos une à terra, às nossas origens. Condução do grupo de vivência, abordando a importância de reconhecer e honrar a ancestralidade como fonte de força, sabedoria e conexão, incentivando mulheres a compartilharem experiências de opressão e superação. Realizado no espaço do Estúdio Flor de Lótus com mulheres de comunidades quilombolas do Paraná. Março/2025

Livro de plantas medicinais – Rau Xarahu livro

Foram ao todo cinco grandes caminhadas identificando as plantas, fotografando, anotando as palavras e percebendo o quanto da cosmovisão Shanenawa influencia o contato com a natureza, fazendo com que ações de cuidado e preservação se manifestem naturalmente como parte de sua cultura. A cada dia cerca de 30 plantas eram catalogadas. À tarde, nos sentávamos  em frente ao computador para descarregar as fotos, passar a limpo todas as anotações e confirmar se as fotos tiradas correspondiam às anotações feitas, nesse processo revíamos todo o material coletado durante o dia. 

Da experiência para o mundo

Algumas experiências iniciadas ou desenvolvidas no âmbito da Casa ultrapassaram suas paredes. Tornaram-se livros, documentários, projetos culturais e ações realizadas em outros espaços e territórios.

NUKU VESU – nossa face

Gravado na aldeia Kene Mera, do povo Shanenawa, no Acre, com a participação dos pajés Matxiani, Rua Busê, Mukani, Timá, Dua Busê e Siã. Este é um projeto não só sobre os povos da floresta, mas essencialmente sobre nós, sobre espectros esquecidos de nossa cultura. O documentário teve por objetivo registrar os saberes ancestrais e configurá-los em um livro de plantas medicinais a fim de ampliar a visibilidade dos povos da floresta e contribuir para sua continuidade social, cultural e territorial. Cabe ressaltar que o pedido para a realização desse trabalho partiu dos próprios pajés. Foi Exibido no Acampamento Terra Livre, em Brasília, em 2021, na programação cultural do encontro e também na Cinemateca de Curitiba, no evento Amazônia passa por aqui, em 2022. 

Terra sem raízes

O livro foi lançado na Comic Con EXperience e teve parte de sua arrecadação destinada à aldeia Kene Mera, do povo Shanenawa, no Acre. Por meio das vendas do livro foi repassado o montante necessário para o registro da associação da aldeia, bem como entregues um notebook para uso da associação e um violão.
No livro acompanhamos a história de um personagem nascido em cidades de árvores, crescido em cidades de concreto e alheio às próprias origens, não por vontade própria. Pai indígena e mãe branca tentaram criá-lo como ser da floresta, mas o destino traçou novos caminhos para a criança. O nome dessa época foi esquecido, assim como as origens em verdes tons. Violência e caos, invasores e metais preciosos, territórios em disputa e silêncio dos governantes causaram a morte do pai indígena; à mãe branca restou a fuga e a distância das memórias manchadas de vermelho. Uma jornada de resgate da ancestralidade!

Nossa Face

Exposição fotográfica da aldeia Kene Mera, do povo Shanenawa, no Acre, no Festival de Felicidade, Curitiba/PR, em 2022. A jornada humana não se faz isolada, ela é uma trama interconectada de experiências, simbolismos e um impulso incessante para encontrar harmonia mesmo em meio ao caos. A busca humana por compreensão, a criação de mitos e deuses e a tradução das leis universais refletem a necessidade de interpretar o mundo que nos rodeia, conectando o físico, o espiritual e o intelectual de maneiras que são únicas para nossa espécie. Assim sendo, a narrativa Shanenawa, por meio de suas práticas e cosmovisões, oferece perspectivas fundamentais, frequentemente marginalizadas ou ignoradas pelo pensamento dominante, que nos lembram da harmonia advinda do respeito, da compreensão e da coexistência equilibrada com o mundo natural. Ao preservar o ambiente e honrar as práticas tradicionais, descobrimos não apenas meios de sobrevivência, mas caminhos para uma vida significativa entre ancestralidade e contemporaneidade.