0
Seu carrinho

Quadrinhos, xilogravura, ancestralidade e memória brasileira

O que acontece quando quadrinhos, xilogravura, ancestralidade e memória brasileira se encontram?

Urubu-Rei nasce desse cruzamento.

Ambientada em um sertão atravessado pelo cangaço, pela violência e pela resistência, a narrativa acompanha Benedito, um homem marcado por sua origem, por suas perdas e por uma identidade construída entre diferentes ancestralidades. Em sua travessia, realidade e mito começam a se misturar: urubus, encantados, religiosidades afro-brasileiras e indígenas, coronéis, cangaceiros e memórias da terra compõem um Brasil que talvez conheçamos menos do que imaginamos.

A própria linguagem visual faz parte dessa história. Em diferentes passagens da obra, as imagens foram entalhadas à mão na madeira e impressas em xilogravura, trazendo para os quadrinhos uma técnica profundamente ligada à cultura gráfica popular brasileira.

Aqui, o preto e o branco não são apenas uma escolha estética. O preto é sombra, ferida e memória. O branco é silêncio, ausência e revelação. Na xilogravura, aquilo que retiramos da madeira é justamente o que permite que a imagem apareça.

Urubu-Rei também nasce do encontro entre arte e pesquisa. A obra é um desdobramento poético de estudos sobre ancestralidade, pertencimento, território e comunidades quilombolas, uma tentativa de fazer com que questões normalmente discutidas na pesquisa acadêmica encontrem outro corpo, outra linguagem e outros leitores.

Mais do que contar uma história de cangaceiros, Urubu-Rei pergunta o que permanece quando tentam apagar nossas histórias e de onde retiramos força para continuar pertencendo.

Além da HQ, a obra conta com material pedagógico gratuito, desenvolvido para professores e educadores trabalharem temas como ancestralidade, identidade, território, racismo, cultura popular e leitura de imagens em sala de aula.

Projeto realizado com recursos do Fundo Municipal de Cultura de Curitiba.